Olá meus queridos e queridas leitoras, nessa primeira semana
de blog muitas coisas aconteceram, produzindo bases pra escrever aqui e toda
essa atividade no blog me fez observar mais algumas coisas. Tudo me leva a crer
que o facebook é o site mais acessado ultimamente, e que as pessoas o tornaram
uma espécie de pátio de “convivência” mútua. Neste ambiente totalmente virtual
expomos nossa intimidade, nossa opinião, enfim, tudo aquilo que somos (ou
queremos parecer ser!). Constatado isso, noto o quão chato pode se tornar uma
pessoa (talvez pela falta de convivência real nunca tenha percebido), seja pela
rejeição completa a tudo seja pela pieguice exacerbada, pela necessidade de
demonstrar uma afetuosidade rasteira e falsa.
Chato, feio e bobo!
O título dessa parte do post faz alusão a um xingamento
composto, inventado pela minha irmã (aqui em casa nós xingamos as pessoas
sempre com mais de uma palavra, uma parada mais enfática!). Na verdade lembrei
desse termo pra falar um pouco da chatice. No dicionário chatice é qualidade do
que é chato (nossa, Capitão Obvio apronta das suas novamente...), uma definição
mais pomposa do chato diz que é a pessoa: “de
companhia ou convivência desagradável, inconveniente, desinteressante, não só
pela obviedade e previsibilidade, com também pela falta de conteúdo de suas
afirmações. Estorvo. Aquele que causa incômodo ou tédio.”. Em suma, a
pessoa se torna chata em diferentes níveis, tal e qual o céu e o inferno na
Divina Comédia.
Daí podemos concluir que sou um chato? Sim, mas com certeza,
afinal todos temos um pouco de chato, mas saber dosar é que é arte. Porque se
tornar alguém de convivência desagradável não é nada legal. Lendo e relendo a
definição acima já dá pra identificar vários tipos na nossa vida, e no facebook
então...(afinal, na vida real pode acontecer um revide, xingamentos,
discussões... Na tela do computador é fácil tacar pedras ao alto e em todas as
direções...). No facebook os níveis de chatice chegam a níveis estratosféricos,
algo assustador, CHATO, desnecessário e que me dá vontade de mandar colher
batata quem escreve ou compartilha algumas das chatices. Honestamente, percebo
que o chato se guia em duas grandes margens opostas, uma em que nada vale a
pena, tudo é um saco e merece crítica e outra em que tudo é lindo, o amor
vence, tudo emociona e comove. Existem graduações entre essas margens (Desafio
a identificarem a qual margem estou mais próximo). Quem aqui não já se deparou
com um post super “polêmico”, bombástico, fazendo uma crítica foderosa a alguém
ou algo? Quem também não se deparou com uma foto (geralmente desconexa com o
texto que a segue, mas sempre com alguma tragédia estampada) e uma historinha
extremamente comovente logo em seguida? Enfim, chegamos onde eu queria!
Entre velórios
virtuais, reclamações reais e ações surreais nada mais me comove...
Nessa primeira semana de março a Dona Morte saiu com saldo
positivo (em relação às celebridades...), começando pelo Chavez e no dia
seguinte o Chorão. Do Chavinho era de se esperar opiniões diversas, dos amantes
de Fidel e daqueles que sequer podem ouvir o nome desses governantes
considerados de esquerda (uma briguinha de quem lê Veja contra quem lê Carta
Capital, na maioria...). Já a morte do Chorão parece ter abalado mais a galera,
afinal era um cantor brasileiro, não era político (fato, política ainda é
preocupação de poucos, ainda mais a internacional). Uma sucessão de matérias na
TV, nos principais portais e postagens de carinho e lembranças de Chorão surgiu
no dia de sua morte. Nem preciso falar do tom piegas de quase todas elas, um
sofrimento um tanto demasiado e nada condizente com a situação da banda naquele
momento (o grupo não estava no auge oras!). Como afirmei anteriormente, as
postagens foram marcadas pelo sentimentalismo exagerado, sentimentalismo demais
típico do velório daquela vizinha fofoqueira (aquela que tem um calendário com
as perdas de virgindade das moças da rua registradas) que todo mundo odeia e
deseja a morte, mas que na hora do velório a morta se torna uma santa e digna
mulher. Mas isso talvez se justifique pelo fato de a banda falar aos jovens e
ter marcado a adolescência de muita gente, inclusive a minha.
O fato é que havia no face, como todos os dias tem o assunto
batido do momento, uma grande quantidade de postagens que faziam referência ao
Chorão e sua morte. Tudo normal pra facebook, que ano passado parecia sessão do
STF, só dava Joaquim Barbosa. Algumas coisas me incomodavam, mas como sempre ia
ignorando, ignorei até o momento em que li um post com um ar de grande
denúncia. Não me lembro das palavras exatas e nem quem postou (afinal não to aqui
pra ficar de guerrinha com ninguém, só me peguei no fato mesmo!), mas em linhas
gerais o post dizia que sobrava muito luto virtual e pouca luta real. Caraca, é
uma constatação bacana até, gostaria de ter ideia de escrever isso antes. Mas
jamais colocaria isso no dia da morte do cara, em que todo mundo queria
lembrar, enfim fãs postando sua tristeza ou que seja. No contexto em que foi
colocado fica aquela impressão de que é mais legal fazer diferente de todo
mundo (nossa sou muito crítico!) e ficar reclamando sobre a abordagem do
assunto do dia. Imaginem vocês no pátio da escola, todos falando da final da
Taça Guanabara, aí vem uma pessoa e diz que sobra preocupação demais com
futebol e pouca com o dever de casa, isso na semana da final do torneio. É
pedir pra ser chato né?! Sei que todo mundo tem o direito de discordar e
manifestar sua posição, mas existem maneiras menos abrasivas e mais educativas.
Faltou tato (ou sobrou chatice) para o autor desse post, caso ele tivesse o
objetivo de causar alguma reflexão, análise crítica do fato. A mania de algumas
pessoas tem de sair criticando tudo e todos é algo que me incomoda demais, pois
ao mesmo temo que critica uma eventual falta de atitude geral a pessoa não
busca agir de forma contundente. Se o facebook é espaço de pessoas enfadonhas,
que só falam e não agem, o que você, meu crítico e ativista ainda faz no face?
Vai mexer seu traseiro gordo então! (Fucker and Sucker, kkk adorva isso!) Vá
fazer a diferença, vá a luta real então, cacete! O pior foi uma resposta, que
só pode ser encomenda do capiroto ou alguma praga do Egito, de que o tal do
luto virtual era fruto da falta de assunto alheia. E o pior, o cidadão (ou
cidadã, sei lá!) vem me dizer que se as pessoas tivessem a vida dura dele
faltaria tempo pra ter luto pelo Chorão ou quem quer que seja...(Coitado, esse
deve ser cortador de cana, acessou o face no tablet do encarregado enquanto
estava no ônibus rumo ao canavial!). Caramba, esse pessoal que reclama, acha
tudo ruim, cancela a bosta do facebook então. Cacebaralho, o que me revolta é
galerinha dizendo que FB (abreviações, por favor!) é chato, só tem gente
desocupada, e uma porção de idiotices mais. ENTÃO ME FAÇA O FAVOR, EXCLUA SEU
FACEBOOK E FILIE-SE À TENDA DE ASSIS, LÁ NÃO FALTARÁ QUESTÃO RELEVANTE E DUREZA
NA VIDA PRA VOCÊ, INSATISFEITO DA VIDA!
O mais legal disso tudo é que se fala em lutas reais né?!
É... são as pessoas que sempre vejo ajudando em invasões de terras, em defesa
da reforma agrária (só que não!); são as pessoas que ao invés de dar esmola a
mendigo, ensinam ele a escrever, faz curriculum vitae e ajuda a arrumar emprego
(Hahaha, faz-me rir!); aaaaa descobri, são pessoas que dão aulas de reforço gratuitas
para os funcionários analfabetos do seu condomínio ou da empresa do papai, ou
do raio que o parta (NÃO, NÃO, NÃO!); são pessoas que vão nas
audiências públicas em que se discute as políticas em tramitação (Menos ainda,
só falam mal de político!); ufa, desisti! Então como diria o saudoso Pedro
Pedreira (Francisco Milani), NÃO ME VENHA COM CHORUMELAS! Falar em lutar é
mole, quero ver se inscrever em programa de voluntariado, ir fazer barba de
mendigo na Lapa ou tentar invadir a sessão de eleição e posse do presidente
homofóbico e racista da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, ou organizar
movimento de protesto contra governo (tal e qual fizeram na Primavera Árabe).
Bancar o chatão e meter o pau em tudo na tela do seu
macbook, ou no seu ipad é muito fácil e conveniente. Criticar os pobres
pré-alfabetizados (opinião dos enfadonhos e mega críticos ok?!) do facebook que só falam do assunto batido e não leem nada
parece ser o esporte favorito daqueles que amam bancar os reclamões. Meu caro
chato reclamão, não se iguale, vá ler o Washington Post, assistir TV Cultura e
delete seu facebook. (Talvez no Google+ você seja mais feliz, afinal poucos
ainda o conhecem). Sei que o chato sentimental que compartilha fotos toscas e
historinhas tristes incomoda muito, mas se for pra criticar seja coerente,
critique o conteúdo, questione, e não tente colocar as pessoas numa massa de
idiotas.
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Uma das modinhas de facebook. Modinhas e trends são chatos, mas pra você não ficar muito chato e pedante, ligue o botão do F@#@-se e deixa a moda passar. |
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Chega de luto virtual e vamos à luta real! (HAHAHA) |
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Esse realmente tem a vida dura e não tem como sentir o luto virtual. Será que os que lutam na real são capazes de ajudá-lo? Ou a luta real só acontece na tela do ipad? |
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A minha cara quando vejo um post reclamão (pretensiosamente politizado), onde fico me perguntando "Cadê a luta real?" |
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A imagem típica que precede uma historinha triste de facebook. Os piegas também são muito chatos com suas historinhas mela-cueca. |
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Aí está uma luta real que quase ninguém se mete, afinal política é um saco né?! |
Ser menos chato é...
Ser menos chato é, em primeiro lugar deixar de procurar o
tudo ou o nada, ora tudo é maravilhoso, ora nada presta, enfim isso é um saco.
Ser menos chato é saber questionar o post alheio, debatendo o conteúdo e não
desfazendo de quem o posta, tentando parecer superior (o que em geral não é!).
Legal também é usar o botão do F@#@-se, se alguma coisa te incomoda muito, não
se estressa, passa adiante (se você tiver mais de 100 amigos passa em segundos).
Ser menos chato é parar de bancar o fodão na tela do computador e se mostrar o
mais próximo possível do que é no real. Sejam, por favor, não tão piegas (odeio
pieguice) e antes de compartilharem historinhas tristes ou foto de cachorro
desaparecido averiguem a veracidade e compartilhem apenas com quem você sabe
que se comove com isso também.
Olha gente, sei que sou um chato de galocha, capa e
guarda-chuva querendo entrar no Japeri de 17:30 lotado, mas ainda sim tem umas
chatices que incomodam e muito. Não excluo o facebook porque acho uma
ferramenta legal, em que podemos ter o mínimo contato com amigos de infância,
de escola, faculdade e etc. Lembrem-se, aquilo não é lugar de desabafos ou
críticas tolas, só pra mostrar o quanto você é diferente e questionador. Pra
isso façam um blog (Hahahahahhahaha)!!!!!!!!!!
Notas felipinas¹: Nem quero saber de quem postou o que citei
acima, isso aqui não é indireta pra ninguém e eu tenho mais o que fazer. Me
liguei no assunto, só isso!
Notas felipnas²: Todos somos chatos, fato confirmado, façam
esse teste (http://super.abril.com.br/multimidia/tipo-de-chato-697675.shtml)
e vejam que tipo de chato vocês são.
Um bom domingo pra todos e não se esqueçam de ouvir a rádio
do blog, com música 24h. Não percam também a estreia do programa Opiniões
Felipinas, na mesma rádio, a partir de segunda-feira (finalmente).
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